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segunda-feira, 9 de março de 2015

Crescer

Crescer é difícil.
Crescer edifícios...
Querer ser arranha-céu!
Paradoxo que alto nos lança.
Pois para tocar o céu é preciso ser criança.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Livro encantado

Ela alisava a capa excitando o interior. Que pecado capital... Tudo culpa do amor. Dois olhos lindos iluminavam toda a história de mais de 300 páginas anotadas. Aquele par de vistas são dois belos motivos para enxergar um mundo melhor; creio que haja. Nos livre nesse livro! Vamos lavrar um conto de amor? Venha ser minha doença crônica, minha Cura, minha autoajuda, minha literatura de qualidade, por favor.

Deixe o perfume dos teus pulsos espalhar-se sobre mim. Me leve para casa, vamos para uma viagem sem fim. Só não rasgue minhas cartas raras, não feche a página na minha cara.


Escreveu o livro encantado desejando que a moça bonita da livraria quisesse comprá-lo.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Bloco de nós sozinhos

Em um bloco de carnaval do Rio...

Ela tinha um coração pintado nos lábios. Eu fiquei com o coração saindo pela boca quando vi aquela gracinha. Amor à primeira palavra. Acredita?

Abastecido após algumas latas de cerveja e muitas canções de música brega, pergunto:
- Me deixa tocar seu coração?

Ela responde em meio a um sorriso que abriu cavidades e covinhas:
- Ele já tem dono...

- Só quero emprestado. Pode ser consignado. Pois se não conseguir nada com você, serei um peito pobre coitado - afirmo em sinceras palavras sacanas e sentimentais.

Ela gargalha gostoso e pergunta num emocionante sotaque pernambucano:

- Tu é poeta? Vai escrever pra mim?

- Já fui em cartas separadas. Mas por esse sorriso lindo posso voltar a selo - respondo, enquanto marco os passos do belo par de coxas da dama.

Ela respira, inspira e palpita um beijo pulsante. Satisfeito aceito e receito um toque no peito mais adiante.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Chamado sonho

A menina o chamou para passear em um mundo onde as pessoas se amavam. Era obrigado ser feliz.
A menina o chamou para dançar uma música com letra e melodia lindas. A canção não tinha fim.
A menina o chamou para procurar conhecimento e achou mais dúvidas. Isso que sempre quis.
A menina o chamou para gritar em uma montanha para o universo inteiro ouvir versos de amor. Melhor que o sinal da Tim.

A menina o chamou para derrubar muros, agredir as grades e construir pontes. Pavimentando a solidão.
A menina o chamou para somar as raças, multiplicar a carne, dividir os copos. Subtrair as dores do peito.
A menina o chamou para invadir o Maracanã lotado, ficar adiantado, fazer gol irregular. Pra cima deles, Fluzão.
A menina o chamou para andar nu pela Via-Láctea, não respeitar as placas, fugir para onde veio. Todos alcançavam os direitos.

Ele topou todos os pedidos. A menina o chamou para ficar para sempre ao seu lado. Ele disse que não podia. A menina o chamou de sonho. Ficou tudo acordado. Toda noite, ele voltaria.


sábado, 18 de janeiro de 2014

Homem de palavras

Te lambo com meus dedos outra vez. Minhas frases em fuga concedida fazem ode a você. Ah, como eu odeio essa saudade... Vou bombardear essa infeliz cidade! E no lugar, farei uma ponte para desfilarmos; passar eu. Passarela.

Te namoro do paragrafo ao ponto final de nossa história sem fim. Em nosso soneto, acordarei o amor com duas notas e um tom; e que a vida grave para o Sempre.

Rasgo o silêncio para riscar que te desejo em forma e conteúdo. Você me escreve dizendo que o que te escrevo é ladainha inventada. Que não passo de um homem de palavras.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Será arte?

Me livro num livro
O braço não cansa
Me encanto num canto
Passos à frente na dança

Me arranjo num arranjo
Conserto a tabela
Me deito na rede. Um gol
Edito minhas sete telas

Me moldo em plásticas banais
Desenho um mundo sincero
Me amo de novo e outra vez
Congelo segundos eternos


E arte me mantém vivo de verdade e sem fim, apesar da realidade e dos poemas ruins

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Mais perto

"Longe da direita, longe da esquerda. Distante do que há para ser. Longe de você. Com isso, mais perto de mim. A certeza que não terei é se isso é bom ou ruim"

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Haikai: Texto batido

Haikai: Texto batido

Texto batido ou não, neste e em outro lado

viver é escrever o futuro

com a caneta de pena do passado

terça-feira, 16 de outubro de 2012

A última carta

Na minha história mal escrita você já foi ... , e ;

Para provar que não era farsa te abracei com “ ”

Fomos : de um livro entreaberto Falávamos todo de errado sobre esse tal de Alfabeto

Você já foi ! de romance e dramalhão

Hoje é uma ? que me maltrata em minha varada Dizem que a vida anda

Indeciso escrever versos ruins eu me arrisco Certeza só tenho, que em minha história tu sempre será um *

Ainda crédulos no Sentimental hoje somos .

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

domingo, 18 de abril de 2010

Eu sou

Eu sou a troca de olhares. A primeira vista. A noite sem fim e o para sempre;
Eu sou o encostar dos lábios. As mãos lado a lado. O toque que excita;
Eu sou o suspiro da moça. O inflar de tórax dos moços. A falta de ar;
Eu sou o puxão de cabelo. O cafuné. A dor de cabeça;
Eu sou o cinema. O poema. O dilema.
Eu sou o canto escuro. As costas no muro. Algo impuro.
Eu sou o tapa na cara. O rabo ou qualquer outra coisa entre as pernas. O cérebro no ar;
Eu sou o moço sem jeito. A moça ajeitada. O que não tem solução;
Eu sou a noite em claro. O sonho bonito. Os olhos fechados;
Eu sou o peito que bate forte. Apanha. Que não cansa da luta;
Eu sou a transa casual. O encontro esperado. Os acasos;
Eu sou a esperança. O desespero. O relógio parado;
Eu sou a ausência de pudor. As quatro paredes. O mundo inteiro na frente da janela;
Eu sou o que foge a dicionários. O que não mata ninguém. O que faz o peito e as palavras pararem;
Eu sou o alívio. A dor. O próprio: veneno e cura.

Eu sou o amor. Nu ou usando as vestimentas e anéis sociais. Eu sou o... prazer. Eu sou o amor.

(Ao som de: Odair José - 1981)

terça-feira, 13 de abril de 2010

Real

Girava romântica e libertinamente. Segurava, sem muita firmeza, uma garrafa na mão direita. Não gostava da esquerda. Era egoísta. Dançava só. Só a canção que mexia com sua alma. Apertava os olhos contra o resto do belo rosto completo. Parecia querer dormir. Sonhar. As janelas deram as costas e as cortinas para o universo. O mundo estava ali. Girava junto com ela.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Uma volta

Olha só, lá vem ela. Vem quebrando o vento com seus cabelos leves. Um sorriso sem cara, sem boca; não expressa. Não diz nada. Monalisa ficou para trás, parada no caminho já pisado. Um quadro lindo. Milimetricamente pintado. Pneus feitos com as duras penas dos anjos mais safados. Que anjo. Que pecado.

Freios? Pra quê? Pedais, mais e mais. A vida é para frente! Olhe além daquele horizonte. Sim, existe um lugar. Aqueles olhos são um bom motivo para ver um mundo melhor. Farois. Corpo vestido de luz. Quando ela passa, O Sol se deita, cansado de sentir inveja.

O poeta torto que vê, rouba, exagera. Mas não há sinestesia que resista. No frio do Norte. No calor do Sul. O mundo para até sua próxima volta. Sua revolta. A revolução, que não é tão vermelha e honesta quanto seus lábios inocentemente borrados.

A beleza sob duas rodas. Dê-me uma carona? Leve-me, eu sou leve, no seu coração alado.

(Ao som de: Dear Science - TV On the Radio)

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Silêncio!

Silêncio! Não quero falar. Entrego a todos meu discurso mudo. De boca seca. De mão beijada. Um político. Um voto. Confiança. Isso basta. É o bastante.

Vou fechar os olhos. Dizem que eles são as janelas da alma. Não quero ser incomodando. Se chamarem, diga que sai.

Não vou mais esperar o inesperável. Não vou ligar. Não vou matar árvores rasgando papeis. Não vou foder com o mundo. Ele se toca, se fode sozinho. O telefone não toca. A caixa de correio segue desabitada.

A alma tão humana emite um urro internamente ensurdecedor. Ela quer contar tudo. Quem disse que vou ceder? Meu mundo é tão maior. Tenho tantas pernas pra correr.

Silêncio! Não quero falar.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Ainda estou

Não digo só que sou. Digo “estou”.
Não digo que sou só. Digo “estou”.
Não digo só que vou. Digo “estou”.
Não digo que vou só. Digo “estou”.

O mundo é são. As pessoas são.
O muro é. O passo é.
A casa é. As coisas são.

Prefiro estar. Pois devo mesmo mudar.

(Ao som de: Sérgio Sampaio - Cruel)

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Só a mudança é permanente



Não estava para mudança. Ela chegou de caminhão, bateu na porta, ligou, não entendi, nem atendi.
Não queria ver o mundo, girar me deixa tonto. Não procurei saber, achei que estava bem.
Encheu minha caixa de e-mails. Resisti. Estava tudo bem. Ela não. Ela sim estava um passo adiante, pois estava pronta para chegar mudando para melhor.
Em uma luta entre o salto e a cama, ela venceu.
Permiti sua chegada. Me tirou os pés do chão... agora vou me mudar todo dia. Vou viver sem direção.

(Ao som de: Vera Loca - Distúrbios do Amor e Rock n Roll)

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Como um rio com janeiros

Quando eu era criança costumava sentar nesta pedra e olhar a nascente deste rio.
Quando mais jovem me divertia de várias formas no meio desse rio.
Quando abro a janela do meu barraco vejo a sujeira contida nesse rio.

São espelhos d'água. Sempre pareci com esse rio.
Os rios sempre vão. A vida sempre vai.

(Ao som de: Cartola - Cartola 70 anos)