Mostrando postagens com marcador poemas tortos em linhas retas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poemas tortos em linhas retas. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 9 de julho de 2025

Chato

Fui pelo encanto, vivi encantado. Veio o desencanto, com ele a realidade. Que saudade do que era chato de verdade.

sexta-feira, 9 de maio de 2025

Solo

Você nunca dançou a dois comigo. Sempre foi um solo. Você nunca quis que eu caminhasse ao seu lado. Sempre me quis ao seu redor.

terça-feira, 29 de abril de 2025

Afeto

A saudade me afeta. Os afetos não me saudam. As pessoas não sabem usar afeto. Estou falando do sentido da palavra.

quarta-feira, 29 de maio de 2024

Asas arreganhadas

No amor, quando tudo der errado, a liberdade sempre estarará lá com as asas abertas para te receber. Na vida, também. Mesmo sendo um acolhimento que te empurra para andar só, a liberdade sempre está a te esperar. Com as asas arreganhadas. Ela não te quer para ela, mas tamém não te abandona.

quinta-feira, 23 de maio de 2024

Eu e minha dor

Eu e minha dor saímos por aí. Dei a mão para ela e ela apertou meu peito. Eu e minha dor saímos para dançar. Eu dei a mão para ela e ela pisou com força no meu pé. Eu e minha dor tentamos fazer amor. Abri o coração e ela me deu uma facada, reforçando o motivo de estar ali. Depois de tanto sangrar, minha dor me apertou tanto que acabou me abraçando. Passou um tempo assim e eu e minha dor viramos amigos e saímos por aí. Até que veio outra dor e eu não sabia mais o que fazer.

Vício

No doído caminhar dos dias, o que me salva são os escapes. Sou viciado em possibilidades.

Muitos

Nós somos muitos. Muitos, muitos, muitos. Tantos que nem sabemos quem somos. Mas descobrir quem somos a maior parte do tempo ajuda muito. E muitos.

terça-feira, 8 de junho de 2021

Busca

Estava sempre buscando alguém ou algo que encontrava todas as vezes e fazia questão de perder depois. Um dia, após lhe fugir o centésimo amor e a milésima prenda achada em algum dos quatro cantos do mundo, concluiu sozinho: "Gosto mesmo é de procurar". A bolsa ficou mais leve. A vida também.

segunda-feira, 31 de maio de 2021

Grisalho

Quebrou todos os relógios da casa. Tirou a bateria do celular. Parou de olhar para o céu. Pintou os cabelos, alongou a coluna. Comprou um tênis leve. Fez novos amigos. Bebia como se fosse ontem. Nunca se deu bem com a passagem do tempo. Sempre ficou onde esteve, olhando por baixo da aba do boné.

domingo, 18 de março de 2018

Marcos

Formigas escalam todo o grande armário. Formigas não são boas para metáforas. Será que elas traçam marcos para iniciar seus maiores objetivos? Preciso parar com essa mania. Preciso parar de perder minha atenção, meu foco, com coisas pequenas.

Para recomeçar a fazer o que estava fazendo, tenho que determinar um ponto de partida. Geralmente é uma dose de alguma que tem em casa, no armário. Às vezes tem até água.

Quantos quilômetros a mulher de pernas gostosas corre por dia? O que eu vim buscar no mercado, mesmo? Acho que vim comprar uísque. A água acabou. Será que está paga? Quando pagar as contas, vou traçar uma meta para minha grana.

Preciso parar com essa mania. Não adianta definir marcos antes de começar algo. O que marca é a passagem de tempo. Só depois que acabamos o tal algo é que podemos olhar para trás e ver onde e como aquilo tudo começou. Os deuses não têm rédeas. Cacete! Tenho um compromisso. Cadê meu relógio? Será que está dentro do armário?

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Despertadores ao contrário

Os grilos lá longe. A chuva no teto. Ventilador aos pés. Nas folhas, o vento. Nos galhos, os pássaros. Bob Dylan no fone. Você dormindo, respirando, do meu lado.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Tem certeza?

Por que tantas certezas e tão poucas dúvidas?
A certeza imutável é sempre um ponto final.

Onde estão os pontos de interrogação da sapiência?
Os pontos de interrogação são os guarda-chuvas da consciência

Onde vão parar os guarda-chuvas que perdemos?
Quando achar uma explicação muito definitiva, desconfie

Pelos caminhos incertos, eu quero sempre andar
A única certeza que quero é a vontade de duvidar.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Política é amor

Vem para minha base aliada. Ajude-me a debater quem se opõe a nós. Não promova meu impeachment. Governe minha vida. Queremos dividir. Vamos multiplicar. Sem promover injustiças. A culpa foi só sua. Uma hora, vamos ficar juntos. Somos até parecidos. Muitos dos nossos querem a mesma coisa.

Amor é política, meu amor. Política é amor, meu amor. Pena que o amor é cego. Porém, precisamos não enxergar certas coisas para ver melhor.

(Ao som de Radiohead - House Of Cards)

terça-feira, 19 de maio de 2015

Amor é próximo

O grande amor da minha vida será sempre o próximo. Depois o próximo. O próximo. O próximo. O próximo. E quando não houver mais próximo, enfim, terei ao meu lado o grande amor da minha vida.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Crescer

Crescer é difícil.
Crescer edifícios...
Querer ser arranha-céu!
Paradoxo que alto nos lança.
Pois para tocar o céu é preciso ser criança.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Livro encantado

Ela alisava a capa excitando o interior. Que pecado capital... Tudo culpa do amor. Dois olhos lindos iluminavam toda a história de mais de 300 páginas anotadas. Aquele par de vistas são dois belos motivos para enxergar um mundo melhor; creio que haja. Nos livre nesse livro! Vamos lavrar um conto de amor? Venha ser minha doença crônica, minha Cura, minha autoajuda, minha literatura de qualidade, por favor.

Deixe o perfume dos teus pulsos espalhar-se sobre mim. Me leve para casa, vamos para uma viagem sem fim. Só não rasgue minhas cartas raras, não feche a página na minha cara.


Escreveu o livro encantado desejando que a moça bonita da livraria quisesse comprá-lo.

sábado, 18 de janeiro de 2014

Homem de palavras

Te lambo com meus dedos outra vez. Minhas frases em fuga concedida fazem ode a você. Ah, como eu odeio essa saudade... Vou bombardear essa infeliz cidade! E no lugar, farei uma ponte para desfilarmos; passar eu. Passarela.

Te namoro do paragrafo ao ponto final de nossa história sem fim. Em nosso soneto, acordarei o amor com duas notas e um tom; e que a vida grave para o Sempre.

Rasgo o silêncio para riscar que te desejo em forma e conteúdo. Você me escreve dizendo que o que te escrevo é ladainha inventada. Que não passo de um homem de palavras.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Mais perto

"Longe da direita, longe da esquerda. Distante do que há para ser. Longe de você. Com isso, mais perto de mim. A certeza que não terei é se isso é bom ou ruim"