O Sommelier de Linhas de Ônibus é um Persona Urbana que vive nas grandes cidades do Brasil e do mundo. E na Argentina também. O Sommelier de Linhas de Ônibus é um sujeito que trabalha com algo que não toma muito tempo, então, ele perde o restante do dia andando de ônibus. O que para você é tristeza, para ele é diversão.
Quando alguém vai até o motorista tirar alguma dúvida sobre o itinerário do coletivo, o Sommelier de Linhas de Ônibus entra em ação: ele se levanta do assento e nem deixa o condutor falar, vai logo explicando o que a pessoa perdida precisa fazer. Normalmente, ele diz no final do gesticulado discurso "eu vou descer lá também".
O Sommelier de Linhas de Ônibus também age nos pontos de ônibus. Só que você corre risco ao tirar dúvidas com ele nesse tipo de lugar. Se seu coletivo não chegar logo, ele vai te falar incansavelmente sobre o longo percurso dos buzões que fazem ponto naquela parada.
Aliás, "buzão" é um termo que o Sommelier de Linhas de Ônibus não usa. Ele acha pejorativo. Ele acha que a palavra ônibus nunca deve se perder. Ele gosta de trocadilhos.
O momento de glória maior para um Sommelier de Linhas de Ônibus é quando o motorista (normalmente um novato na linha) não acerta o percurso. É aí que ele se levanta da cadeira e diz com a segurança de um cinto: "fiquem tranquilos, eu sei o caminho". É o equivalente a um médico aleatório que está passando em uma rua onde uma senhora está tendo um infarto. O Sommelier de linhas de ônibus é um herói urbano.
O Sommelier de Linhas de Ônibus conhece todos os jargões e gírias dos rodoviários. Mesmo sendo um bancário aposentado, ele é afiliado ao sindicado que defende motoristas e cobradores.
Em uma cidade como o Rio de Janeiro, onde os ônibus mudam os itinerários pelo menos duas vezes por semana, a função de Sommelier de Linhas de Ônibus deveria virar cargo público.
O Sommelier de Linhas de Ônibus não gosta de metrô. Não apoia o transporte hidroviário para reduzir o trafego de veículos nas pistas. Não sabe andar de bicicleta. E, principalmente, odeia BRTs. "BRT é um ônibus sem alma. Sonha em ser metrô. Tinha mesmo era que parar embaixo da terra", disse um Sommelier de Linhas de Ônibus enquanto contemplava um engarrafamento no corredor especial para coletivos.
O Sommelier de Linhas de Ônibus é alguém que sabe o seu caminho. E o dele também.
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domingo, 12 de outubro de 2014
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
Personas Urbanas: O Novo Culto
O Novo Culto é um Persona Urbana emergente. Isso não tem nada a ver com o fato de a classe C ter passado a frequentar universidades. O Novo Culto está e sempre esteve em todos os lugares. No entanto, graças as redes sociais, ele tem se espalhado tal qual informação errada no Facebook. É preciso curtir e compartilhar as diferenças!
O Novo Culto sempre tem um comentário, ou uma "colocação" a fazer. Mesmo que a pergunta não tenha sido feita para ele. Mesmo que a pergunta não tenha sido feita. Entretanto, quando o debate começa de fato e O Novo Culto é questionado, ele consegue ser mais raso e escorregadio que piscina de pobre. Já tomei muito banho naquelas de plástico...
O Novo Culto faz questão de falar palavras que ele sequer sabe o que significam. O Novo Culto também gosta de citações avulsas. Normalmente ele erra o autor. "Aquilo que se faz por amor está sempre além do bem e do mal", disse Freud, segundo um Novo Culto. Mas a frase é de Nietzsche. Eu acho.
O Novo Culto mora em bairros de novos ricos. Talvez haja alguma relação entre esses naipes. Ambos compram obras de Romero Britto, acreditam em numerologia, são fãs de Jorge Vercillo e fingem entender os filmes do genial Lars von Trier.
Favor não confundir O Novo Culto com o pseudointelectual. O pseudo cria um site para propagar suas divagações. O Novo Culto tem um blog.
O Novo Culto sempre tem um comentário, ou uma "colocação" a fazer. Mesmo que a pergunta não tenha sido feita para ele. Mesmo que a pergunta não tenha sido feita. Entretanto, quando o debate começa de fato e O Novo Culto é questionado, ele consegue ser mais raso e escorregadio que piscina de pobre. Já tomei muito banho naquelas de plástico...
O Novo Culto faz questão de falar palavras que ele sequer sabe o que significam. O Novo Culto também gosta de citações avulsas. Normalmente ele erra o autor. "Aquilo que se faz por amor está sempre além do bem e do mal", disse Freud, segundo um Novo Culto. Mas a frase é de Nietzsche. Eu acho.
O Novo Culto mora em bairros de novos ricos. Talvez haja alguma relação entre esses naipes. Ambos compram obras de Romero Britto, acreditam em numerologia, são fãs de Jorge Vercillo e fingem entender os filmes do genial Lars von Trier.
Favor não confundir O Novo Culto com o pseudointelectual. O pseudo cria um site para propagar suas divagações. O Novo Culto tem um blog.
sábado, 17 de maio de 2014
Personas Urbanas: O Assustado das Grandes Cidades
O Assustado das Grandes Cidades é um Persona Urbana que não para de crescer, apesar do alto número de mortes no Brasil. O Assustado das Grandes Cidades anda com sete celulares: um para o pivete que furta na calçada, outro para o assaltante que rouba no trânsito, um para um eventual crime inesperado e mais quatro – um para cada operadora, que vivem nos tirando cobertura.
Quando vê uma blitz policial, O Assustado das Grandes Cidades não para. Ele não sabe se os componentes são policias bandidos, bandidos disfarçados de policias ou milicianos - que são uma espécie de policias disfarçados de bandidos.
O Assustado das Grandes Cidades mora em casa com muros e grades tão grandes que o mantém seguro. E preso. Por sorte, ele tem a internet para “ver” o mundo. Isso quando não decide evitar a rede mundial de computadores, por temer crimes virtuais. O Assustado das Grandes Cidades não abre mais as janelas. Ele teme uma invasão de raios "ultraviolentos".
Relâmpago, arrastar, bala e eletrônica são palavras que O Assustado das Grandes Cidades cortou do dicionário. Cortou não, ele tem trauma de facas. Picava legumes e frutas com uma chave de fenda até descobrir um assassinato que teve a ferramenta como arma.
Agora, ele engole o pepino e o abacaxi inteiros. A primeira palavra riscada remente a sequestro, a segunda a roubos e furtos em série, a terceira se perdeu e deixou de ser doce há tempos. A última completa a tal urna, onde, na maioria das vezes, entram e saem os problemas anteriormente citados.
O Assustado das Grandes Cidades está com tanto medo da violência que comprou um arsenal de armas de guerra para se proteger dela. Se proteger atacando, é claro. Ninguém merece morrer.
Quando vê uma blitz policial, O Assustado das Grandes Cidades não para. Ele não sabe se os componentes são policias bandidos, bandidos disfarçados de policias ou milicianos - que são uma espécie de policias disfarçados de bandidos.
O Assustado das Grandes Cidades mora em casa com muros e grades tão grandes que o mantém seguro. E preso. Por sorte, ele tem a internet para “ver” o mundo. Isso quando não decide evitar a rede mundial de computadores, por temer crimes virtuais. O Assustado das Grandes Cidades não abre mais as janelas. Ele teme uma invasão de raios "ultraviolentos".
Agora, ele engole o pepino e o abacaxi inteiros. A primeira palavra riscada remente a sequestro, a segunda a roubos e furtos em série, a terceira se perdeu e deixou de ser doce há tempos. A última completa a tal urna, onde, na maioria das vezes, entram e saem os problemas anteriormente citados.
O Assustado das Grandes Cidades está com tanto medo da violência que comprou um arsenal de armas de guerra para se proteger dela. Se proteger atacando, é claro. Ninguém merece morrer.
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