terça-feira, 1 de junho de 2010

A vida

Não sentia prazer como algumas outras. Seu verdadeiro orgasmo estava ali: na hora em que a cama deixava de ranger e a porta batia para dentro. Enfim a solidão. A física. Pois a as outras já estavam lá. Nos contatos delirantes do/para o cliente e em sua presença.

Era como sentir o alivio entre cada chibatada. O momento em que o torturador parava com os choques nas genitálias e os murros na boca para esperar uma resposta que não fossem as onomatopéias da dor. Era a única hora que dava tempo de respirava ar puro naquele quarto poluído onde não tinha descanso.

Talvez fosse moça de idade. Chamavam aquilo de vida. Ela gritava que não era para ela. No entanto, não tinha muito para fazer. Logo entraria alguém no quarto. A saída era esperar os próximos momentos de prazer.

(Ao som de: As Chicas)

6 comentários:

Paula S disse...

Muito tocante! Gozei aqui.
Vc falou da vida. É assim mesmo que é: só temos momentos de alivio em meio a rios de dor. Como sempre: lindo, lindo.

Keila Tremonti disse...

=/ é, tenho mal gosto

Sinuca-breja-bossa disse...

RESUMO DELIRANTE DA VIDA..HEHHEE...ADOREI

Jéssyca disse...

viizi, que retrato macabro da vida

Maria Luíza disse...

coitada da vida que seguia os passos de uma prostituta!
Gostei do textos, parabéns!

music disse...

ó vida cruel