domingo, 15 de março de 2009

Mesa 30


Um copo, solitário, assim como quem bebia. Ah, se esse gole me deixasse menos tímido... Falarei com ela agora. Não, deixa acabar essa dose, talvez essa garrafa. Natacha, era o nome da bebida, por que a respeito da menina que levou meus olhos, eu só sei que ela tem uma beleza especial, não aquela beleza de todas, nem a de Photoshop e sim uma beleza diferente, que a cerca de luz e dúvida, um estilo único, que não diz nada, mas resume tudo, parecia uma aparição divina para um ateu, logo eu que nunca acreditei em amor, que sempre quis a solidão e às vezes realizava meus desejos com aventuras. É, a vida é mesmo irônica.

Segundo dia que venho ao mesmo lugar, segundo dia que saiu do trabalho, falto aula e venho para esse bar, segundo dia que segundo algo que fala de dentro pra fora e eu não sei o que é diz: é ela. Hoje não vou deixá-la ir, e terminar minha embriaguez sozinho, não. Não mesmo. Olha só, ela nem repara, estou a olhando desde que cheguei e ela nem me viu, rir com as amigas, bebe, come, não fuma, nem me vê. Das outras vezes foi mais fácil, um olhar, uma resposta, uma troca de mesas, uma conversa (nem sempre boa) e uma transa (nem sempre boa).

Até vencia por goleada a timidez que era contra, mas com ela era diferente, estranho, não sei explicar, parece clichê, deve ser o tal amor... Ah, não. Ela partiu de novo, na mesma hora que me partiu em mil pedaços ontem, as 23h30. Não adiantava chorar dentro do copo cheio, tive três horas pra voar, mas só olhei o céu. Amanhã. É, de amanha não passa, quarta-feira, vai passar a semifinal do campeonato, meu time vai jogar, nem vou ao estádio, vou ver o jogo aqui nesse bar. Espero que ela venha e me devolva aquilo que levou via meus olhos.

Quarta, dia da decisão, no campeonato, coração na expectativa. Olha só, ela torce para meu time do peito e meu tímido peito se torce por ela... O jogo vai bem, meu time vence por um a zero, quase fui comemorar o gol na mesa dela... Intervalo de jogo e eu bebia como se meu time tivesse caído pra segunda divisão ou sido campeão, esses extremos são loucos, bebemos quando perdemos um amor e bebemos para conquistar um. De hoje não passa.

Muitas garrafas decoravam a mesa que ela estava com os amigos e ela estava meio alterada. O jogo não ia mais tão bem assim, o time rival empatou e virou o jogo. E eu bebendo, agora por mais um motivo, não bastavam os problemas com a família, no trabalho, os trabalhos da faculdade e meus complexos complexos, agora meu time deixava fugir a vaga na final. A moça era minha última esperança de sorrisos. Não, eu não vou deixá-la ir sem falar o que sinto ao vê-la, talvez nem seja amor, talvez ela nem queira amar, mas se eu não falar é melhor me calar para sempre. O jogo acabou, a noite esfriou, já não posso beber, o povo está indo e ela também. Levantei da cadeira, passos tortos, próximo, falei...

– Não vá agora, preciso saber seu nome.
– Meu nome é Natacha.
– Vamos beber algo?


*Inspirado na música "cachaça" (Vanguart).

(Ao som de: Little Joy)

2 comentários:

Jéssyca disse...

ave, mto grande ;~

Paula S disse...

Que bonito o texto.

Romantico,ein....

Tá muito bem escrito.

Genial!