terça-feira, 4 de outubro de 2011

Solo


A estudante carioca sentada sozinha no banco do ônibus ouve com chiado as mais pedidas.

O professor Universitário dentro do carro sem carona fica sabendo das notícias do trânsito.

A diarista às cinco da tarde, enquanto ainda está em casa sem os patrões faz um café com cheiro de descanso ao som daquela canção do Roberto.

O velho matuto e analfabeto do interior da Paraíba, distante das palavras família e multidão, ler com os ouvidos o texto daquele locutor.

Você, moça e você, moço se perguntam: e eu com isso?

Em todos esses momentos, não fosse o rádio, todas essas pessoas estariam completamente sós. Acho fascinante essa relação do rádio com a solidão. É como ouvir um solo do George Harrison na extinta Rádio Cidade durante uma madrugada fria e triste.

E pensar que há tempos atrás as pessoas se reuniam em volta dele para ouvir a programação.

(Ao som de: Wilco - A.M)

2 comentários:

Paula S disse...

Boa reflexão. Gosto muito de rádio. ;)

Ana disse...

Sempre muito bom, não fique tanto tempo sem postar, rapaz, rsrs.