terça-feira, 21 de julho de 2009

Vai passar

Tudo era dor. O corpo estava inteiro, mas a alma se é que existe ou existia parecia um quebra cabeça. Faltavam peças. Não tinha pressa.
Bom em fazer escolhas ruins, lamentava o mais novo vacilo. Era um espelho ruim de olhar. Quebrado. Os cacos rasgavam a carne podre e pobre de sorrisos.
Lágrimas não tinha mais. Os olhos não fabricavam esse suco amargo. Amargas eram a vida e a cachaça, tomava as duas ao mesmo tempo para nadar em rios de ilusão.
Caminhava sem destino, mas sempre com direção. Não enxergava além da curva.
Tinha esperança de que a luz no fim do túnel fosse uma fuga momentânea da escuridão. Sentado à beira da estação esperava.
Tantas pedras nos trilhos. O trem sempre passava.

[Ao som de: Fundo de Quintal - Fundo de Quintal convida (ao vivo)]

4 comentários:

Paula S disse...

Triste e lindo. Como a vida.
"tantas pedras no trilho. O trem sempre passava".
Foda!
Sou sua fã;

taynara disse...

Adorei esse texto cara :)
"Tinha esperança de que a luz no fim do túnel fosse uma fuga momentânea da escuridão."
Gostei dessa parte ;)

Jon disse...

Poetico. Vc coloca bem as palavras. Lindo conto.

Jéssyca disse...

eai, td bom?